Sono de ferias....

O Onibus saia as 5 da manha e eu deveria ter acordado as 3 e meia.... nao acordei.  O plano era ir para Amritsar, passar um dia e uma noite e voltar para Delhi pouco antes do meu voo para Londres ... fiquei por Dharmsalla mesmo.

Acabei passando o dia caminhando ate' uma cachoeira, dormindo na grama e comendo comida tibetana. Nada mal, afinal de contas isso e' ferias certo?

Apos esses dias na India percebi que realmente e' preciso mais tempo para viajar por aqui. Varias regioes como Rajastao, Kashemira e o centrao tribal ja' entraram nos meus planos para o futuro. O pais e' desafiador e encantador. NADA e' comum e NADA funciona como esperamos. Precisei de um tempo para pegar o ritmo e entender um pouco a logica das coisas mas quando isso aconteceu tudo passou a ser uma grande novidade.

Amritsar era uma cidade que estava nos meus planos desde o comeco. Visitar o Golden Temple e ver a troca da guarda na fronteira com o Paquistao seria um otimo fechamento. Fiquei um pouco chateado por nao ter conseguido ir mas nao muito. Agora e' so' mais um lugar para o roteiro da proxima jornada...

 

 

quarta 12 maio 2010 06:30


Pense num lugar calmo...

 Dharmsalla e' a casa de Dalai Lama e sede to Governo do Tibet no Exilio. Uma serie de pequenas vilas encravadas no Himalaia, cheia de monges e viajantes. Nunca havia visto um clima assim de tamanha serenidade. Todos se tratam com tanto respeito que chega a ser estranho. Tudo bem simples, limpo e despretencioso.

Estes lados nao estavam nos meu planos originais mas muitas pessoas no caminho me disseram que deveria vir, que este era um lugar unico e bem diferente da India que eu havia visto ate' entao. Mudei um pouco minha agenda e peguei um onibus de Delhi ate' aqui... 12 horas por estradas realmente PESSIMAS mas logo ao chegar percebi que tinha valido a pena.

Peguei um rickshaw para subir as ruas com a mochila e dei carona para um monge pelo caminho... logo ja' fui convidado para visitar o monasterio dele e participar de uma sessao de oracoes e discussoes com outros monges... marcado para o dia seguinte. Me arrumei num quarto de 8 dolares e mal acreditei quando vi a sacada; uma vista que eu poderia ficar ali por horas soh olhando... o vale inteiro 3000 metros abaixo e o Monte Kaylash ao fundo com seus 5500 metros ... com aquela neve branquinha toda penteada. 

 

No primeiro dia fiz o de prache: visitei o complexo onde vive o Dalai Lama e o museu da resistencia Tibetana `a invasao chinesa. Sao aproximadamente 120.000 refugiados tibetanos na India, quase todos fugiram pelas montanhas e muitos tiveram problemas serios com o frio durante a travessia... ha uma infinidade de pessoas que perderam dedos das maos e pes. Ano passado fez 50 anos que a India concedeu asilo aos tibetanos e ha faixas de agracedimento por todos os lados.

Os estrangeiros que estao por aqui ou estao estudando yoga e meditacao ou sao voluntarios ajudando os refugiados. Visitei uma dessas escolas de meditacao hoje de manha no meio da floresta montanha acima e quando iniciava a descida, conheci uma monja toda simpatica que comecou a falar dos lugares legais da regiao. Ela se ofereceu para me acompanhar a um povoadinho mais para cima e la fomos nos, 3 km subindo ... enfim uma tarde caminhando no Himalaia batendo papo com uma monja (!?)... totalmente surreal! Terminei a tarde numa aula aberta de yoga na laje de um predinho... Nao poderia estar me sentindo melhor.

Hoje a noite ha uma celebracao especial nos templos para orar pelas vitimas do teremoto recente no Tibet e o primeiro ministro fara' um pronunciamento sobre a situacao da ocupacao chinesa. E' Incrivel como essa vila de um povo que e' agredido ha 50 anos consegue pregar e praticar a aceitacao entre as pessoas. Cada dia que passo aqui me faz sentir que vale a pena voltar. um dia... Nao que realmente precise pois acho que vou levar essa paz comigo por muito tempo.... 

 

FREE TIBET! 

terça 11 maio 2010 12:41


My Nepal...

Blog de furmiga :Anyway.... Anywhere..., My Nepal...

Dormi como uma pedra. Depois de pedalar os tais 40 km (sendo 19 de subida!) estava imprestavel. So’ acordei porque havia esquecido de desligar o despertador e este tocou por volta das oito. Percebi que a manha estava mais barulhenta que o normal e quando sai na janela vi que o barulho vinha de carros, motos e vendedores . A greve havia acabado! Nao entendi exatamente qual foi o motivo mas o fato e’ que Kathmandu voltou a ser caotica e poluida.

Deixei a bicicleta de lado e peguei um taxi de 2 dolares ate’ Patan, uma outra cidade mais ao sul do vale. Ja’ nao se ve claramente a separacao entre as cidades mas, como os carros sao proibidos de circular no centro historico, o clima e’ bem mais calmo. Passar o dia la’ foi realmente otimo. A cidade tem predios de mais de 1500 anos e alguns templos que datam de 250 A.C. (!!!). Basicamente caminhei o dia inteiro por pequenos patios e ruelas antigas. Pude conversar com algumas pessoas e visitar varios atelies de fundicao que funcionam da mesma maneira ha’ seculos.

Percebi que peguei o jeito de conseguir retratos. Ontem pela zona rural e hoje em Patan devo ter fotografado umas 60 pessoas. Vou chegando de mansinho, com um sorriso discreto, um ``Namaste’’ baixinho…  logo a criancada se aglomera em volta e os adultos pegam confianca. Dai’ pra frente tudo vira brincadeira, ate’  os velhinhos pedem para ser fotografados e soltam sempre um belo sorriso ao ver a propria imagem na camera digital. Conhecer essas familias e passar esses 15 ou 20 minutinhos tentando me comunicar com meia duzia de palavras em Nepali sao gratificantes demais. A gentileza aqui impera e contagia!

Ja’ estou preparando a volta para a India amanha. Gostaria de ter ficado mais tempo por aqui e visitado vilarejos ainda mais afastados, mas nao tive tempo. Quem sabe na proxima vez. Essa passagem curta pelo Nepal certamente me tornou uma pessoa melhor e vou levar a imagem da cidade da maneira que  conheci: silenciosa, sem carros, cheia de gente caminhando pelas ruas. A minha Kathmandu…

sábado 08 maio 2010 11:29


Nepal strike...

Blog de furmiga :Anyway.... Anywhere..., Nepal strike...

Alguns amigos meus dizem que eu tenho a sorte de estar sempre nos lugares onde as coisas estao acontecendo. Estava em Cuba quando o Fidel renunciou, estava em Paris na principal festa de 14 de julho dos ultimos anos, entre outras situacoes. Nao sei se e’ exatamente sorte mas o fato e’ que a chegada ao Nepal nao foi nada comum.

O pais nao e’ la’ politicamente estavel e algumas semanas atras o Partido Maoista deixou a mesa de negociacoes por uma nova constituinte e convocou uma greve geral. O pais esta parado. Todas as lojas estao fechadas e na rua so’ circulam alguns onibus de turistas e ambulancias. A populacao esta tendo que se virar a pe' ou de rickshaw. Muitos viajantes estao presos em Kathmandu vendo seus planos irem por agua abaixo.

A policia montou bloqueios em volta da cidade para impedir que os manifestantes cheguem ao centro e houve alguns conflitos mais serios nos ultimos dias, resultando em 1 morte e varios feridos. Dei um jeito de sair do aeroporto de carona com uma van de um hotel chique e, chegando `a regiao dos albergues consegui um check-in na Kathmandu Guesthouse. Uma instituicao na cidade. Belissima infra, quartos decentes a 8 dolares, belo jardim e um restaurante onde o almoco e’ mais caro que a estadia. Como ja’ havia planejado viajar de bicicleta pela regiao, tudo que tive que fazer foi arrumar uma pra alugar e comprar um mapa de uma viajante dinamarquesa.

Ontem passei o dia em templos hindus e um monasterio budista tibetano. Devo ter pedalado uns 30 km entre pequenas estradas e campos de arroz. Ao passar pelos bloqueios todos foram bastante gentis (tanto protestantes quanto policia) me explicando os acontecimentos e os melhores caminhos a seguir. Apesar da tensao no ar, as criancas aproveitam as ruas sem movimento para jogar futebol e os monges caminham alguns quilometros para chegar `as cerimonias.

O pais e’ maravilhoso; tem um clima de China antiga com casas de portinhas pequenas e contrucoes de mais de mil anos a cada esquina. Os templos sao locais sagrados compartilhados por todos, independente da religiao.

Hoje tenho mais 40km em direcao ao Himalaia onde dormirei em uma vila a uns 3000m de altitude. Minhas pernas ja’ doem so' de pensar mas as ruas sem carros estao perfeitas para pedalar. Uma grande sorte talvez…

sexta 07 maio 2010 01:34


Love country....

Blog de furmiga :Anyway.... Anywhere..., Love country....

Nao sabia que roupa vestir para ir ao casamento. Tinha tentado investigar com os noivos mas eles so' me diziam que seria uma  festa para celebrar o amor deles e que todos deveriam estar como se sentissem bem. Acabei me virando com uma camisa indiana e uma saia emprestada. Confesso que nao fazia ideia de como as pessoas estariam mas logo ao chegar no Resort onde aconteceria a cerimonia percebi que o clima era bastante relaxado e eu estava com trajes adequados. Eram mais ou menos 300 pessoas sendo apenas 40 brasileiros. Todos descalsos, de Sarongs e Saris num clima de muita alegria. A cerimonia principal foi curta mas bem bonita. A familia tem papel muito importante ; participam em varios momentos com bencaos e trocas de coroas de flores. A festa continuou noite adentro e acabei arrumando um lugar para passar a noite no resort. Uma mamata para curar a ressaca!   

Voltando pra Delhi consegui casar meu roteiro com o do grupo de brasileiros e fui no onibus ate' Agra onde visitariamos o Forte e o Taj Mahal. Para mim foi uma forma diferente de viajar, com horario marcado, fotos em grupo e guia acompanhando e explicando  tudo. Durante a viagem de 4 horas fomos escutando as historias e mitos sobre as contrucoes e os guias iam criando um clima de todo especial: "Hoje veremos uma grande obra romantica, um monumento ao amor, etc. etc. etc."... Chegar perto e ver com os proprios olhos foi realmente indescritivel...  E' tudo tao simetrico e detalhado que e' dificil imaginar como foi possivel construir com tal perfeicao ha quase 5 seculos!

No fim da tarde tive que abandonar o grupo e seguir para a estacao de trem sozinho. Precisava voltar para Delhi sem falta. Me enfiei na confusao das plataformas e, assim de ultima hora, so' consegui uma passagem de 2a classe. Estava um pouco preocupado pensando que seria dificil aguentar o calor e a lotacao mas para minha surpresa ate' que peguei um vagao tranquilo. A 2a classe e' sim um pouco suja mas nao e' muito diferente dos trens do Brasil. Logo percebi que as portas ficavam abertas,  abandonei minha cadeira e me sentei em uma saida lateral com as pernas pra fora. Estava sozinho de novo, cruzando 3 estados da India com minha camera na mochila e o vento na cara... Acho que foi um desses momentos em que se percebe a felicidade de verdade. Tenho mais 10 dias de estrada mas ja'  posso dizer que EU AMO A INDIA...

 

 

 

terça 04 maio 2010 16:13


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